sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Independência ou Protesto!

Centenas de manifestantes se reuniram na capital paulista, no dia de comemoração da independência do Brasil, para exigir a saída imediata de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado e protestar contra o Presidente Lula, que o tem apoiado. A concentração foi em frente ao Masp, por volta das 14h e houve uma marcha de ida e volta até a Consolação.


Ao mesmo tempo que ocorria o desfile dos militares no Anhembi, para celebrar o 7 de setembro, jovens, adultos e idosos aproveitaram a data para mostrar sua indignação contra a situação atual da política no Brasil. Seu principal alvo foi o senador José Sarney, que recebeu 11 acusações, apresentadas no Conselho de Etica, entre elas, estão as suspeitas de envolvimento com os atos secretos do Senado, possíveis irregularidades na fundação que leva o seu nome e operações de seu neto com crédito consignado. Todos os pedidos de investigação foram arquivados. Por isso as pessoas pedem que ele se afaste da presidência e permita as investigações.


Além disso, o Presidente Lula também foi criticado pelos manifestantes, por solicitar que a bancada governista no senado, não apoie a saída de Sarney e por defender diversos outros políticos envolvidos em escândalos desde que assumiu a presidência. Outros políticos ligados ao governo também foram citados.

Mas entre tantos criticados surgiu um herói, o Senador Eduardo Suplicy, que em ato simbólico, mostrou um cartão vermelho ao Sarney em uma das sessões do senado, demonstrando sua posição em relação ao assunto e assumindo sua opinião contrária a do partido e do Lula. Na manisfestação, muitas pessoas também usaram um cartão vermelho aprovando a atitude de Suplicy e reforçando o exigência de saída do Presidente do Senado.

Houve quem dissesse que o protesto não levaria a nada, mas ficar em casa muito menos. Um dos gritos de guerra dos manifestantes mostrava bem essa idéia: “Você que está olhando, o Sayney está te roubando”. Obviamente ainda não teve o mesmo impacto que a “Independência ou Morte” de Dom Pedro I, à 7 de setembro den 1822, mas eles lutam para que seja o marco de mais uma independência, novamente do Brasil, mas relação a falta de ética na política.

(por Frank Hörnke - 07/09/2009)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Reflexão: O que está por tráz da queda do diploma de jornalista?

Em decisão inédita, o Supremo Tribunal Federal, sob o comando de Gilmar Mendes, decidiu que o diploma de jornalista não é mais obrigatório para o exercício da profissão, em votação no mês de junho. Mas este ato gerou uma grande polêmica em toda a imprensa, nos alunos de jornalismo, além da população em geral. Afinal, surgem dúvidas de quais os reais motivos que levaram os governantes a discutir este assunto e tomar tal decisão, ao invés de se preocupar com outros mais importantes, como os escândalos do senado e as CPI's que surgem a cada momento.

Toda essa discussão mostra um grande paradoxo, pois enquanto havia o debate no STF, alunos de jornalismo refletiam sobre o que estão aprendendo e o que poderiam melhorar em seu curso. Ora! De um lado a preocupação destes em sempre extrair o máximo daquilo que estão fazendo, já de outro, pessoas com o poder nas mãos acham que nada disso é necessário. Uma das partes está bem equivocada nesta história.

No entanto, uma decisão dessas não deveria causar tanto espanto na sociedade, já que a educação, de uma forma geral, não é valorizada pelos que estão no poder no Brasil. Um país que não ensina direito suas crianças, seus jovens, também não iria se preocupar com seus adultos, que nesta fase, já não entendem a importância do conhecimento, pois não foram condicionados a desenvolver um pensamento crítico e desconhecem seus diretos como cidadãos.

Mas objetivamente falando e analisando bem a situação, somada ao histórico dos poderosos no Brasil e do efeito que a falta de cultura causa na população, pode-se chegar a uma conclusão bem simples sobre o principal motivo para a eliminação do diploma: Sempre se falou que as autoridades não investem na educação por que é interessante para eles manter a massa sem conhecimentos em geral; assim o povo não interfere na política, por não entende o que se passa e não sabe reivindicar. No entanto, os políticos e afins sofrem algumas derrotas quando a imprensa insiste muito e consegue um grande apelo popular para o assunto em pauta. Mas, se os jornalistas, não forem capacitados para investigar, pesquisar, refletir e envolver o povo em sua causa, não poderão exercer o mesmo papel importante como hoje, que já é deficitário.

Por fim, após tanta pressão da categoria, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que restitui a exigência do diploma. A PEC nº 386/2009 foi respaldada com a assinatura de 191 deputados. Os jornalistas podem agradecer a esta iniciativa, mas vale lembrar que não seria necessária se o STF não tivesse tirado a obrigatoriedade, ou seja, mais uma vez, ao invés de se preocuparem com assuntos realmente importantes e prioritários, alguns políticos precisam nos salvar das trapalhadas de outras pessoas detentoras do poder no Brasil.


(Por Frank Hörnke – 10.07.09)